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SSPS e Polícia Penal entregam banco vermelho à Fase e à SSP

Móvel, fabricado por presos com histórico de agressão a mulheres, ficará disposto nas sedes de ambas instituições, na Capital

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Gabriel Centeno Ascom SSPS (5)
Banco foi fabricado por homens privados de liberdade, presos por violência doméstica, da Penitenciária Modulada Estadual de Ijuí - Foto: Gabriel Centeno/Ascom SSPS

O governo do Estado, por meio da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) e sua vinculada, a Polícia Penal, entregou, nesta quarta-feira (1°/7), um banco vermelho à Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase). O móvel foi fabricado por homens privados de liberdade, presos pelo delito de violência doméstica, da Penitenciária Modulada Estadual de Ijuí (Pmei), e ficará disposto no hall de entrada da sede administrativa, na Avenida Padre Cacique, 1.372, em Porto Alegre. Na mesma data também foi entregue outro exemplar à Secretaria de Segurança Pública (SSP) — o banco de número 84 fabricado por pessoas privadas de liberdade.

O projeto busca instalar bancos vermelhos em locais públicos, com mensagens de reflexão e informações sobre canais de ajuda e denúncia. Os móveis entregues à Fase e à SSP foram fabricados por cinco homens, todos trabalhadores voluntários em serviços gerais na casa prisional. O material utilizado na confecção foi adquirido com verba destinada à unidade e por doações.

Na cerimônia realizada na Fase, a secretária da Mulher, Ana Costa, destacou a importância de colocar apenados ligados à violência doméstica para a confecção dos móveis. “Fabricar esses bancos vermelhos é uma forma de valorar o trabalho dos apenados da Modulada de Ijuí. Eles estão trabalhando em algo que os faz refletir sobre a violência cometida e, simbolicamente, funciona aqui fora para fazer com que as pessoas reflitam sobre uma sociedade melhor”, observou.

A embaixadora do Projeto Bancos Vermelhos no sistema prisional gaúcho, a servidora Débora Ferreira, representou o secretário da SSPS, Cesar Atilio Kurtz Rossato no evento, e enalteceu o compromisso da SSPS no enfrentamento à violência contra a mulher, com a confecção de bancos por homens presos por delitos relacionados à Lei Maria da Penha e que participam de grupos reflexivos de gênero. “É muito simbólico estarmos na Fase, porque aqui temos meninos e meninas, jovens e adolescentes. Acredito que é através deles, também, que vamos conseguir mudar essa cultura. E a Fase, por isso, tem um papel fundamental nessa luta de enfrentamento à violência contra a mulher”, afirmou. 

Já o presidente da Fase, José Stédile, destacou que o feminicídio tem origem em uma cultura machista e discriminatória. Segundo ele, a campanha internacional representa mais uma iniciativa para promover a mudança desse paradigma e ampliar a conscientização da sociedade para o combate e a prevenção da violência contra as mulheres. “O enfrentamento ao feminicídio exige um trabalho permanente. Por isso, precisamos investir em programas mais intensos voltados também aos homens. Os bancos produzidos por apenados e distribuídos em diferentes municípios do Rio Grande do Sul simbolizam esse compromisso coletivo. O exemplar recebido hoje pela Fase reforça essa mobilização em defesa da vida das mulheres”, completou.

À tarde, na SSP, a entrega do banco, com a participação do secretário Mario Ikeda, das secretárias Ana Costa e Lisiane Lemos, de Ciência e Tecnologia, e da embaixadora do Projeto Bancos Vermelhos no sistema prisional, Débora Ferreira, também foi marcada pela assinatura de um termo do cooperação com a empresa 99 Tecnologia, cujo objetivo é oferecer viagens gratuitas pelo aplicativo de transporte à mulheres que precisem registrar ocorrências.

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O projeto busca instalar bancos vermelhos em locais públicos, com mensagens de reflexão e informaçções sobre canais de ajuda - Foto: Rogério Fernandes/SSP

Homenagens

O evento na Fase também marcou a entrega pela Coordenação-Geral Nacional dos Estados Gerais das Mulheres - Brasil — instituição que representa oficialmente a precursora italiana Panchine Rosse, de uma comenda à secretária Ana Costa. O bottom é entregue às mulheres que trabalham pelas pautas relacionadas à violência de gênero.

Já o presidente da Fase recebeu o certificado "Uomo Illuminato", dado a homens que se engajam no enfrentamento à escalada da violência de gênero e feminicídios.


Campanha Banco Vermelho

A Campanha Banco Vermelho teve origem na Itália em 2016 e, no Brasil, foi instituída pela Lei 14.942/2024, reforçando os dispositivos da Lei Maria da Penha e integrando as mobilizações do Agosto Lilás. 

A iniciativa — uma ação de relevância social, institucional e pedagógica — consiste na instalação de bancos vermelhos, a cor remete aos feminicídios, em espaços públicos, com mensagens de reflexão sobre homicídios e outras formas de violência contra a mulher, contendo contatos para emergência, denúncia e suporte a vítimas.

A coordenadora nacional do Projeto Bancos Vermelhos Oficial, Denise Argemi, destacou a relevância da parceria com o Sistema Prisional e Socioeducativo e com a Secretaria da Mulher no fortalecimento da pauta de combate à violência contra a mulher. “Quando chegamos a quase 50 feminicídios no Rio Grande do Sul neste ano, é porque algo está muito errado no Estado. O banco é uma questão simbólica, não vai resolver a questão. O que vai solucionar é o sistema de governo, com todas suas secretarias, e a sociedade civil, para que tenhamos um RS mais seguro e que nossos homens aprendam que amar não é sinônimo de violência.”

 

Texto: Paula Sória Quedi/Ascom SSPS

Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo